O voo do condor
Memórias
Francisco Lourenço da Cunha
Dedicatória
À minha geração perdida nos sonhos e vivências diluídas no Índico – Costa oriental de África – Moçambique!
Uma geração irreverente que viveu os fascínios e incertezas de um império obsoleto e em fim de ciclo, devastado por uma guerra colonial impossível e demolidora.
Aos meus companheiros de estradas poeirentas que comigo percorreram com improvisada audácia e determinação, os caminhos de um fabuloso exílio.
Com uma nota especial para o meu companheiro de inúmeras aventuras Bags (Otávio Bagueiro) muitas vezes mentor desta força que nos impeliu a ir sempre mais além.
Uma especial dedicatória ao meu companheiro de estrada Nuno Quadros com quem percorri os fabulosos caminhos abaixo e acima do equador no sensacional continente sul-americano.
Uma dedicatória igualmente especial para a minha companheira Rosangela Vianna que preencheu positivamente a minha vida, com quem partilhei uma paixão singular e que viveu na primeira pessoa e ao meu lado uma parte substancial deste roteiro por trilhos sul americanos no Brasil, Bolívia, e Peru.
Bem hajam!…O meu especial apreço pela valiosa e ativa contribuição que prestaram na construção desta narrativa.
Aos meus filhos, Andreia, Ivan e Eva a quem entrego de alma e coração este legado…
Preâmbulo
Esta obra é uma narrativa vivida na primeira pessoa, que descreve o percurso do autor no universo agitado dos anos 70 (séc XX), com os contornos político-sociais de um período que retrata a irreverência de uma geração impulsionada pelos movimentos da contra-cultura “hippie”.
Este contexto de grandes metamorfoses, tem como pano de fundo o panorama colonial português na então província de Moçambique (costa oriental de África).
Uma visão viva de um jovem adulto, filho de pais portugueses, nascido e criado neste território longínquo da África oriental, que percorre de forma analítica alguns aspetos marcantes de uma sociedade confortavelmente instalada no bem estar de um imenso território banhado pelo Oceano Índico.
Uma sociedade alienada da instabilidade vivida a norte fruto da denominada “guerra colonial”, que viria em abril de 1974 a originar uma tempestade social de grandes dimensões e a alterar de forma radical a vida de milhares de portugueses ali residentes.
Segue-se o percurso de um grupo de amigos que recusaram a sua participação nesta hecatombe, dando corpo no início do memorável ano de 1974, a um roteiro sul-americano que marcaria profundamente as suas jovens existências.
Uma viagem tão audaciosa quanto irreverente, temperada de aventuras e vivências de singular originalidade que são vividas em terras do Brasil, onde são abordadas as características de um mosaico social com contornos tropicais e carnavalescos, subjugados a um regime militar extremo.
Um percurso através da cordilheira dos Andes, iniciado em terras da Bolívia onde o autor vive as experiências típicas de um país carismático, marcado pela passagem do “comandante Che”, nas suas incursões de libertação dos povos sul americanos.
Numa incursão pelo altiplano andino onde o contacto com o Lago Titicaca, com a Republica del Peru, com a fabulosa cidade de Cuzco, com as experiências vividas no vale sagrado de Urubamba, na cidade perdida de Machu Picchu, Nazca e Lima.
Um roteiro de convívio estreito com a civilização Inca, que confere a esta narrativa alguns dos momentos mais intensos desta aventura.
Enquanto em 25 de Abril deste mesmo ano, se vira de forma profunda e radical uma nova página em Portugal continental e no espaço lusitano além-mar, esta vivência prossegue ao longo da costa do Pacífico retratando de forma peculiar as experiências vividas na república do Equador, e em território Colombiano.
Aqui o autor decide retornar em condições marginais à sua terra natal Moçambique, em pleno rescaldo da “revolução dos cravos” e no limiar de uma independência de contornos deveras turbulentos.
Uma escrita dirigida ao leitor desperto e visionário, que retrata de forma singular os contornos de uma época intensa da vida lusitana do século XX.

