Prólogo

Esta obra retrata o percurso de um jovem nascido na Austrália, Alfredo Mackenzie Sousa Campos, filho de pai português, Joaquim Sousa Campos, e de mãe australiana, Margareth Laurel Mackenzie, que cedo se interessa pelo percurso do seu avô materno Donald Mackenzie, desaparecido de forma misteriosa no início do século XX em território da Rodésia do Sul, atual Zimbabwe.
O interesse especial deste jovem pelo perfil deste seu ascendente, que não conheceu e do qual não tem memórias vivas, cedo se revela pelo fascínio provocado pela singular personalidade e invulgar percurso de vida.
Donald Mackenzie é originário da Escócia, terra natal onde nasceu em 1870 e a qual deixou para se formar em antropologia na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Donald é um personagem à parte. Portador de uma alma errante, uma espécie de aventureiro apaixonado pela etnologia, antropologia, humanismo e pelas leis da natureza, reunindo em si qualidades raras.
Particularmente interessado pela influência colonial britânica ao redor do mundo, Donald desenvolve estudos sobre determinadas regiões do globo, onde procura as mais profundas origens dos povos ancestrais. Nesta constante procura, demonstra um peculiar interesse pela “febre do ouro” e pelas explorações diamantíferas, que o levaram a explorar regiões no Brasil e ao estudo dos usos e costumes de povos asiáticos e africanos, sendo pioneiro em alguns ensaios etnológicos de grande prestígio.
Dedicando uma especial atenção ao continente negro, visitou regiões como a Somália e dos Grandes Lagos africanos onde descobre as maravilhas do Lago Tanganica.
Este escocês, de carácter vincado e espírito irrequieto, aproxima-se de um horizonte de especial interesse na região austral daquele continente. O antigo império de Mwene Mutapa.
A paixão que desenvolve pelos mistérios ancestrais deste império e pela revelação de atrocidades ali perpetradas pelo Império britânico, levam Donald a percorrer múltiplos caminhos na região do Grande Zimbabwe, onde vem a ser dado como desaparecido em finais do ano de 1935.
Seu neto Alfredo, apaixonado pela personalidade e percurso deste seu parente, é herdeiro de um fundo que este lhe deixara para um dia prosseguir a sua formação académica.
Este jovem, igualmente apaixonado pela aventura, decide aplicar este fundo na sua formação, percorrendo de forma incansável os passos do seu avô, tentando compreender de forma sistemática e cronológica as suas descobertas e o que motivou o seu desaparecimento.
Esta narrativa, tocada pelo insólito e misterioso desaparecimento de tão peculiar personagem, é o eixo condutor de grandes momentos que levam Alfredo a conhecer os meandros da etnologia, antropologia e arqueologia em diferentes quadrantes geográficos que estão na base de uma aventura recheada de peripécias no encalço deste seu avô “sui generis”.
As suas descobertas são incómodas, resgatando ao pó do tempo o silêncio dos culpados. 

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