Ecos do Tombo

Capítulo VI - Ecos do Tombo

ECOS DO TOMBO

Cambridge (England) – Ano de 1971

O percurso de Alfredo em Cambridge representa uma nova fase da sua vida. Num país mais distante e mais frio.
Aos 24 anos de idade, este jovem adulto encontra-se nesta fase final da sua formação mais longe dos seus e a viver no campus universitário desta famosa instituição.
Uma universidade cujo prestígio é indiscutível e uma nova fronteira para um estrangeiro vindo da África austral.
Não deixando de ver esta escola como uma grande referência de onde o seu avô se formara, Alfredo sente que a sua integração nesta instituição não será fácil. Mas vamos ao que importa. Esta universidade é uma grande porta de entrada no establishment britânico.

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Cambridge é uma marca prodigiosamente poderosa. Aqui pode-se usufruir de pesquisas e realizações intelectuais de qualidade, como o fez o seu avô Donald. O facto é que esta escola é uma correia de transmissão extremamente eficaz para as profissões ligadas ao poder. Uma passagem provável para uma vida no palácio de Westminster ou para um cargo nos Tribunais de Justiça reais, para lugares de deputado, secretários particulares dos ministros do governo, advogados das empresas de topo, banqueiros milionários, comerciantes de grande sucesso a residir no bairro de Hampstead, cargos de destaque na BBC, no Financial Times ou no The Guardian, etc.
Mas Alfredo não se sente atraído por esses caminhos. Sente que o seu objetivo continua muito focado em concluir o seu curso de antropologia, melhorar mais e mais as suas aptidões e conhecimentos na área da fotografia e seguir as pistas deixadas pelo avô.

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52 semanas mais tarde.

Com a conclusão do seu curso à vista, Alfredo está mais profundamente transformado do que jamais poderia ter esperado. No momento em que atinge este estágio da sua formação, os salões góticos já não o intimidam; nem andar numa sala com painéis de carvalho cheia de gente vestida de smoking, nem trocar pequenas conversas com jogadores de rugby bêbados destinados a um emprego no banco comercial do tio.
Ao fim deste período, Alfredo já não se sente intimidado por qualquer desafio. Sente-se sim deveras preparado para a vida real depois de uma passagem académica desta natureza.
Neste seu ano e pouco em Cambridge, enquanto aluno residente do departamento de Antropologia, Alfredo tem a grande sorte de ser ensinado por professores de grande prestígio. Entre estes há um que o influencia particularmente. Stanley J. Tambiah, vulgarmente conhecido por Tambi, que foi seu supervisor e “tutor académico”.
Chegada a fase de defender a sua tese, Alfredo tem algumas conversas com este seu tutor que o entusiasma a avançar com a apresentação de um trabalho relacionado com o percurso do seu avô Donald Mckenzie. Nada há de mais fascinante e inspirador para este jovem.
Na construção deste objetivo e inspirado nos escritos do avô Donald, Alfredo decide fazer uma dissertação sobre as origens e desenvolvimento do povo Shona do Grande Zimbabwe.
Neste sentido, recolhe um conjunto de informações preciosas dos manuscritos deste seu parente e fica a saber através de alguns contactos académicos que existe um local onde pode retirar um importante manancial de informações sobre aquela região austral.
Este lugar é a Torre do Tombo em Portugal. A razão de ser desta informação prende-se com o facto de Portugal ser a primeira potência estrangeira a chegar à região por volta do ano 1500 onde se instalou desde então. Neste local há arquivos únicos sobre a região do Grande Zimbabwe.
No seu espírito paira um pensamento. Aqui está uma excelente oportunidade de visitar Portugal, conhecer a família paterna e tirar o máximo de informação desta instituição.

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O nome deste local tem a sua razão de ser. Trata-se de um arquivo criado por volta do ano 1378 que até 1755 esteve guardado numa torre do Castelo de São Jorge em Lisboa (Portugal), denominada de Torre do Tombo. Um local onde se guardam os volumes e os documentos mais importantes do arquivo real. Como resultado do grande terramoto que atingiu Lisboa em 1755 ameaçando a referida torre de ruína, este precioso arquivo foi transferido para o Mosteiro de São Bento na capital lusitana.
Tomada a decisão, Alfredo prepara esta viagem a Portugal com a colaboração do pai Joaquim que se sente entusiasmado pelo facto deste seu filho ir conhecer as suas raízes paternas em idade adulta.

Em contactos mantidos com os colegas de faculdade aficionados de fotografia, Alfredo toma conhecimento de algo muito interessante.
Um concurso de fotografia promovido pela National Geographic Magazine. Trata-se da apresentação de um conjunto de obras fotográficas segundo determinados critérios. O tema do concurso é Povos ancestrais do mundo… sugestivo, pensou.
O seu amigo Phil, lembrando-se da excelente colecção de imagens que Alfredo captara na Rodésia durante os últimos anos, avança com uma sugestão em bom inglês.
-Podes concorrer, Alf!…se fizeres uma boa escolha entre as tuas fotos da Rodésia, acho que tens uma hipótese. Além disso com o um prémio destes não há o que hesitar.
-É, Phil! Responde Alfedo entusiasmado. A oferta de uma reportagem fotográfica para a National Geographic num país estrangeiro à escolha é aliciante. Não custa tentar!

National Geographic

O prazo do concurso corre e é necessário escolher as fotos mais apelativas. Uma nova febre na qual Alfredo tem a preciosa ajuda deste amigo igualmente louco pela captura de imagens. Seguem-se dois dias de natural frenesim em torno deste objetivo.
Com a candidatura aceite neste concurso, resta ao ansioso Alfredo aguardar a publicação dos resultados no Sunday Times do último domingo deste mês de setembro.
Este dia finalmente chegou e, para enorme alegria de Alfredo, o seu nome consta como vencedor do concurso de fotografia promovido pela National Geographic.
Tem agora um ano para apresentar uma reportagem digna desta lendária revista.
Neste momento de intensa emoção, atravessa mais uma vez o espírito irrequieto deste jovem, quase antropólogo e exímio fotógrafo, uma ideia. Percorrer alguns caminhos relatados pelo avô Donald para a realização desta reportagem.
Esta noite, sua extraordinária vitória foi largamente festejada com amigos e colegas no famoso The Eagle em Cambridge.

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O The Eagle Pub fica na Benet Street, bem no centro da cidade numa pequena rua no lado oposto onde está o King’s College e a King’s College Chapel.
Além de ser um dos pubs mais antigos de Cambridge (fundado em 1667), hoje em dia o que leva muitos turistas até este bar é o facto de ter sido o local onde foi anunciada a descoberta do ADN.
Foi justamente neste pub onde o britânico Francis Crick e o norte-americano James Watson anunciaram ao mundo a sua descoberta, em 1953. Essa pesquisa rendeu-lhes o Prémio Nobel de Medicina.
O pub mais parece um labirinto formado por varias alas, sendo que a ala chamada de RAF Bar é caracterizada por ter o tecto todo assinado por pilotos de aviões britânicos e americanos que participaram da Segunda Guerra Mundial.
O ambiente está animado e excessivamente regado pelos jovens estudantes (homens e mulheres) que podem até às 11 pm usufruir do consumo alcoólico permitido por lei na Grã-Bretanha. A forma como Alfredo regressou nesta noite a casa não consta na sua memória mais próxima.

Chegado o dia de Alfredo viajar para Portugal, o seu olhar curioso percorre o movimentado aeroporto internacional de Heathrow, em Londres, em busca das informações nos painéis indicadores dos imensos voos que partem desta cidade para o resto do mundo.
Depois de uma viagem aérea sem história, o pássaro metálico da British Airways aterra ao fim do dia no aeroporto da Portela na cidade de Lisboa. O sol ainda brilha nesta cidade luz banhada pelo Tejo.

Cidade de Lisboa
À sua espera, Alfredo tem um irmão mais novo do seu pai de nome Manuel Souza Campos que se radicara na capital a partir de 1968 na qualidade de jornalista.
Uma calorosa receção lhe reserva este tio à chegada.
Há muito para falar e sinergias múltiplas para trocar com este sobrinho que dá à família lusitana o imenso prazer desta visita.
Para Alfredo, uma excelente oportunidade de encontrar os tios e primos de idade próxima que não conhece e que desde logo se disponibilizam para um animado city tour no dia seguinte.
A hora do jantar foi naturalmente animada pelas conversas cruzadas impulsionadas pela presença deste jovem membro da família.

Novo dia para Alfredo nesta cidade luz junto ao Tejo.
Sai de casa na companhia do primo João de 20 anos, senhor de uma estrutura sólida de desportista de natação e a prima de nome Rita, uma moça de 18 anos, estatura média, muito atraente e com um olhar que ri.
Um dia de boa disposição dedicado a esta capital ribeirinha que começou por uma volta de de autocarros Double decker muito típicos de Lisboa. O reconhecimento de uma cidade nova que na realidade tem mais de 900 anos de existência…fabuloso, pensou!

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Este simpático tour parte do Areeiro local onde se encontra a casa destes seus parentes, seguindo o trajecto da Avenida de Roma e uma descida ao Campo grande com uma incontornável passagem pela Avenida da Republica e Campo Pequeno, seguindo-se a Praça do Saldanha e Marquês de Pombal, que deixam o nosso turista acidental muito bem impressionado com a magnífica vista do Parque Eduardo VII do lado de cima e da soberba avenida para onde aponta o Marquês. A famosa Avenida da Liberdade.
Esta primeira volta de bus culmina naturalmente numa zona incontornável da baixa de Lisboa. Na praça do Rossio onde Alfredo, em conversa animada com os primos e extasiado com a carga histórica da cidade, vai captando um número expressivo de fotos.
O sol brilha em Lisboa e o dia é de inúmeras emoções com o passeio a pé correndo a baixa pombalina seguindo-se uma passagem obrigatória no famoso Bairro alto.
Os sabores são múltiplos entre a prova da Ginginha acompanhando o pastel de bacalhau, um queijo de ovelha aqui, uns enchidos ali, a prova do café na Brasileira do Chiado e tudo rematado um pouco mais acima com um almoço de babar na famosa e centenária cervejaria Trindade…uma jornada de eleição que estes simpáticos primos ofereceram ao nosso visitante.
Nesta passagem de Alfredo por Portugal está igualmente incluída a sua apresentação aos restantes membros da família paterna residentes na cidade do Porto.
Nesta manhã de tempo nublado, Alfredo é convidado pelo tio Manuel que o acompanhará no dia seguinte à cidade “invicta” para conhecer a cidade natal de seu pai, sendo apresentado aos demais tios tias e primos…então vamos lá.

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São apenas 7 da manhã na estação de Santa Apolónia que não escapa às lentes da câmara fotográfica de Alfredo.
O transporte para as próximas horas é o comboio inter-cidades da CP ( Caminhos de ferro portugueses) que os levará através da saída norte de Lisboa ao encontro de uma região denominada de Ribatejo, ao contacto com a região centro onde Alfredo, seguindo as explicações do tio Manuel, tem a noção de estar a atravessar a famosa cidade de Coimbra, local de reunião dos estudantes de várias regiões do país e estrangeiro, onde se encontra uma das primeiras universidades do mundo.
Entre momentos em que tio e sobrinho passam ligeiramente pelas brasas, Alfredo tem ainda a oportunidade de percepcionar a zona arejada de Aveiro antes de finalmente aproximar a estação de Campanhã (cidade do Porto) que completa esta viagem metálica de quase 5 horas.
Os dias que se seguem são de alguma excitação pois todos os parentes do pai Joaquim querem conhecer este jovem membro da família que vem de longe.
A família de Joaquim Souza Campos é numerosa e está francamente entusiasmada com esta visita.
A casa onde Alfredo e o tio Manuel ficarão hospedados encontra-se na zona ribeirinha do Porto, junto ao rio Douro, numa encosta com uma visibilidade magnífica. A vista deste rio mais estreito e mais cavado que o rio Tejo em Lisboa e a visão da famosa ponte D. Maria Pia, de autoria do famoso engenheiro francês Gustave Eiffel que seguramente não escapará à câmara do nosso entusiasmado visitante.

Cidade do Porto
O animado almoço foi em casa da tia Mariana (irmã de Manuel e Joaquim).
À mesa, duas presenças incontornáveis. As tripas à moda do Porto regadas com o famoso vinho da região que fazem as delícias dos presentes que invadem o nosso Alfredo de perguntas. A rematar esta típica refeição não poderia faltar a prova do famoso vinho do Porto.
Com os olhos arregalados de tanta novidade e, depois de um copioso pequeno almoço em família, é tempo de levar Alfredo a dar uma volta de carro pela cidade percorrendo a zona ribeirinha do rio Douro até à zona da foz que foi objecto de mais umas tantas fotos do local e com a família.

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O almoço consistiu numa travessia da ponte da Arrábida e de um copioso repasto (bem à moda do norte) com a prova de um delicioso cabrito em forno de lenha no famoso restaurante Sebastião alfaiate de Vila Nova de Gaia.
Um dia intenso em que não poderia ser encerrado sem uma visita guiada às famosas caves do vinho do Porto e respectivas provas dos néctar que só esta região oferece.
O último dia desta passagem a norte inclui naturalmente a visita de outras zonas da cidade onde o ponto alto é uma volta nos famosos barcos Rabelos na companhia de alguns membros da família. Mais uma oportunidade para o nosso fotógrafo se deliciar com a sua Voigtlander em riste.
Estaria deste modo cumprido um sonho do pai Joaquim. Dar esta possibilidade ao júnior de melhor conhecer as suas origens lusitanas. Factos, aprendizagens e experiências que foram muito bem acolhidas e viverão por muitos e longos anos no espírito irrequieto do nosso Alfredo.
Trata-se agora de regressar a Lisboa, usufruir dos encantos da cidade das sete colinas à beira-Tejo e dar corpo ao seu grande objectivo, reduzindo uma imensa curiosidade que o acompanha. Visitar a famosa Torre do Tombo.

Parte II – Ao encontro das emoções

Parte II - Ao encontro das emoções

No nascer de um novo dia, Alfredo dirige-se ao Mosteiro de S. Bento de Bragança.
Este edifício construído em finais do século XVI foi, a partir de 1933, denominado de Palácio da Assembleia Nacional albergando um impressionante arquivo de 35 km de documentação .
Esta primeira visita à Torre do Tombo é naturalmente emocionante.
Ao entrar neste edifício imperial situado no bairro de S. Bento e dirigindo-se ao sector da Torre do Tombo, Alfredo deve primeiro que tudo identificar-se e expor a sua intenção e motivação para visitar este local de grande valor documental.
Uma prática comum imposta a todos os visitantes. Só é dado acesso livre a pessoas com uma motivação específica, sendo facultada uma prioridade especial a professores e alunos do ensino superior, a pesquisadores e pessoas devidamente autorizadas.

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Entre os documentos mais importantes presentes neste arquivo real está o mais antigo documento da Torre. Uma carta do ano 882 feita em escrita visigótica cursiva, anunciando a construção da Igreja de Lardosa, no Porto.
Outro documento de grande valor é a Carta de Vera Cruz, datada de 1 de Maio de 1500 e assinada por Pêro Vaz de Caminha, escrivão da feitoria de Calecut, enviada a D. Manuel I pela armada de Pedro Álvares Cabral, sendo o primeiro testemunho da existência de um mundo até então desconhecido dos povos ligados por contiguidade geográfica, o primeiro testemunho de uma realidade que mudou verdadeiramente a face da terra. Foi escrita no período crucial dos Descobrimentos, nos tempos em que a ciência náutica finalmente tornou possível fazer o reconhecimento do nosso planeta. As pessoas referidas na carta são, em primeiro lugar Pedro Álvares Cabral, o responsável pela armada, e outros, mencionados ou não, que faziam parte da expedição, como capitães experientes, pertencentes a grandes famílias portuguesas, bem como grandes comerciantes florentinos.
Cumpridas as formalidades de acesso, Alfredo é acompanhado por um dos fiéis guardiões da Torre do Tombo. Um cavalheiro dos seus 60 anos com um semblante altivo, vestido com uma camisa e calças devidamente engomadas e portador de uns belos suspensórios que concede ao nosso jovem antropólogo uma primeira visita guiada. O Sr. Luiz Bento de Magalhães é um grande conhecedor deste arquivo, local ao qual dedicou a sua vida ativa.

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Uma vez elucidado sobre a história deste fabuloso arquivo e os locais por onde começar a sua viagem documental, Alfredo prepara-se para romper uma nova barreira de conhecimento. Segundo o índice dos arquivos da Torre, Alfredo tem à sua disposição mais de 300 documentos sobre o tema relacionado com o Grande Zimbabwe. A excitação que se apodera do seu espírito irrequieto é naturalmente grande.
Seguindo algumas dicas simpaticamente fornecidas pelo Sr. Magalhães, as primeiras pastas e ficheiros que vasculhou deram-lhe uma sensação do início a uma viagem no tempo.
Ao abrir os primeiros documentos, os bichinhos do papel estão presentes por todo o lado. Fenómeno inevitável apesar das condições de controle que são dedicadas à conservação deste espaço. Mas vive no espírito de Alfredo um grande prazer no manuseio físico destes tratados de conhecimento. O prazer especial de ter nas mãos documentos raros é por si só uma emoção forte….uma extraordinária viagem a um legado intemporal.
Este primeiro dia promete. O silêncio deste espaço é tumular e esta viagem faz-se sem noção da passagem do tempo com um pequeno intervalo para almoço, no bar da Torre, onde a escolha não vai além de uns pastéis e umas sanduíches de fraca qualidade. É o que há!
Mas Alfredo está totalmente absorto com os documentos disponíveis e, como outros cidadãos aqui presentes, em viagem pelo mundo onde a comunicação é praticamente inexistente.
Neste primeiro dia e quase ao fechar das portas do arquivo, o nosso investigador descobre um documento importantíssimo para a sua pesquisa, algo de um superior interesse sob ponto de vista histórico e mais especificamente para satisfação do seu objetivo. Os relatos enviados por alguns dos cronistas da armada de Vasco da Gama abordando as riquezas e mistérios do reinado Shona e do denominado império de Monomotapa.

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Face a tamanhas relíquias, Alfredo sente que está no bom caminho. Durante a leitura entusiasmada destes documentos, o sangue corre-lhe mais rápido nas veias indicando que o dia seguinte será deveras interessante. No seu caderno pessoal as notas já preenchem algumas páginas.
Numa segunda visita a este impressionante arquivo, Alfredo dedica-se agora a compreender mais e melhor a evolução civilizacional deste grandioso império que marcou os anais da história nesta região austral do continente negro que tanto fascinou o seu parente.
Ali perto, Alfredo perceciona uma jovem mulher que, como ele, se dedica à consulta de documentos. A beleza feminina desta jovem não lhe passa desapercebida.
Uma mulher dos seus 1,75 com um olhar sereno e cabelo apanhado atrás das costas com um bonito rabo de cavalo. Ela veste um vestido plissado que lhe assenta muito bem.

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Ao perceber que Alfredo a observa, um olhar feminino atravessa o silêncio desta sala deixando Alfredo algo constrangido. Aquele olhar é produzido por uns apelativos olhos escuros que deixam o nosso antropólogo corado.
Mais umas horas de consulta são precedidas pelo sentimento de alguma fome. Momento de recolher as suas anotações levantando-se para ir comer algo ao refeitório. Reparou neste momento que a dona daquele olhar apelativo já não se encontra na sala.

Sedução 2
Na sequência da sua entrada no refeitório algo de simpático se produz no espírito de Alfredo. Aquela interessante figura feminina também se encontra naquele local a comer algo. Um novo olhar trocado entre estes dois jovens adultos é fruto de alguma emoção partilhada em silêncio. Uma vez feito o seu pedido ao balcão, Alfredo decide aproximar-se desta bela jovem que se encontra só numa das mesas do bar.
Com alguma serenidade e apelando ao seu ar mais simpático, Alfredo dirige-se a ela dizendo-lhe:
-Boa tarde!…dá-me licença que lhe faça companhia.
Esta moça aparentemente surpresa com esta abordagem, responde.
-Pois não! Faça o favor!
-Obrigado!…o meu nome é Alfredo!…notei a sua presença numa das salas do arquivo.
-Olá!….responde esta moça sorrindo simpaticamente e estendendo a mão. O meu nome é Susana. E o que o traz à Torre do Tombo?
Reparando uma vez mais na beleza de Susana e naquele olhar de mel, Alfredo responde com algum entusiasmo:
-Sou estudante de antropologia e por aqui me encontro a recolher matérias para a defesa da minha tese.
-Hummm!…interessante!…e qual é a sua Faculdade?
Cambridge!…responde Alfredo com um certo orgulho na voz.
-Uau!…e porquê esta recolha de dados em Portugal? Pergunta Susana com uma curiosidade evidente no olhar.
-Trata-se de uma história algo longa. A minha tese de fim de curso incide sobre um território da África austral que foi conhecido há muitos séculos pelos descobridores portugueses. O Grande Zimbabwe e mais especificamente o Império de Monomotapa.
Fui informado em Inglaterra que este arquivo comporta um importante número de documentos sobre o povo Shona, originário desta região africana. E por aqui ando a recolher informações muito valiosas. E no seu caso?…o que a motiva para vir à Torre do Tombo?
Susana com igual entusiasmo responde.
-Sou estudante de sociologia na Universidade católica de Lisboa e ando igualmente a pesquisar alguns documentos sobre o ensino em Portugal para um trabalho que estou a defender em conjunto com alguns colegas.
Este encontro de Alfredo e Susana é naturalmente condimentado por algum efeito de atracção, não sendo possível a ambos esconder algum fascínio. Foi com agrado que Alfredo compreendeu que encontraria Susana no dia seguinte neste local despedindo-se dela cordialmente.
Nesta noite de alguma chuva em Lisboa, Alfredo recolhido no seu quarto em casa do tio Manuel no bairro do Areeiro, pensa para os seus botões.
Que mulher cruzei hoje na Torre do Tombo!…com este pensamento algo perturbador, Alfredo demorou um certo tempo a entrar no limbo.

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Novo dia rompe em Lisboa. Alfredo, após tomar o pequeno almoço em companhia da tia e primos e vestindo as suas vestes prediletas de cor parda, passa em frente ao espelho sussurrando para si próprio.
-Alfredo, vê lá esse teu look, coloca aquela fragrância fatal e não te esqueças que podes cruzar de novo aquela beldade no Mosteiro de S. Bento.
Apanhando o eléctrico para S. Bento e ao chegar esta manhã a este arquivo, Alfredo percorre as diferentes alas da Torre no sentido de verificar a presença de Susana. É com alguma deceção que constata que tal não acontece.
Mas esta sua perspectiva torna-se realidade quando, absorto na leitura de um novo documento, vê entrar na sala aquela mulher linda que tanto mexe com ele.
Susana dá entrada na sala com o cabelo desta vez solto e apenas seguro de lado com um acessório em forma de borboleta. O olhar de mel acompanha um sorriso cúmplice ao ver Alfredo a quem se dirige com um andar insinuante.
-Olá, Alfredo!…por cá novamente?
Visando Susana com o seu melhor olhar e estendendo a mão, o nosso Don Juan responde em voz baixa conforme ditam as regras do Tombo.
-Susana!…que prazer vê-la aqui de novo!…você está linda com esse vestido!
-Obrigada Alfredo!…a sua figura não fica atrás!
-Podemos tratar-nos por tu? Pergunta Alfredo entusiasmado com as feromonas soltas no éter.
-E porque não…afinal somos da mesma geração.
Sabendo que aqui não é o local propício para uma conversa mais descontraída Alfredo convida Susana para um snack no bar ali próximo que Susana acede com visível prazer.
Uma vez sentados em frente a um café fumegante, é Susana que sugere:
-Mas então falemos um pouco de nós, certo? Tu em primeiro lugar e depois eu te contarei sobre mim.
-De acordo, responde o jovem Alfredo ofuscado pelo olhar enigmático de Susana.
A descrição que Alfredo faz do seu percurso desde que nasceu na longínqua Austrália (Brisbane) até Moçambique onde cresceu, a sua passagem pela Rodésia e mais tarde Cambridge fazem brilhar aquele olhar apelativo da bela Susana.
-Estou fascinada, Alfredo!…que idade tens?
-25 anos, responde prontamente sem tirar os olhos daquela mulher que o encanta. Mas falemos um pouco de ti agora.
Susana com o entusiasmo da conversa responde:
-Pois eu sou natural de Lisboa onde sempre vivi, tenho 23 anos e os meus pais são portugueses. Pai de uma região do norte chamada de Marco de Canavezes e mãe nascida nos Açores tendo mudado para o continente em tenra idade. Também já fiz algumas viagens aqui pela Europa, mas nada como tu que és um cavaleiro andante.
A conversa entre estes dois jovens neste bar transforma-se gradualmente no denominado Amor à primeira vista…uma conversa que dura o tempo suficiente para afastar estes espíritos vivos das suas tarefas de consulta.
E, como dita a natureza humana, esta espiral de emoções leva estes jovens a dar o passo seguinte. A aproximação destas duas almas e um desejado beijo.
Este dia em Lisboa está agora por conta destes jovens empolgados por uma incontornável química. No fogo deste entusiasmo a Torre do Tombo e os seus valiosos escritos passam assim para segundo plano. Coisas do amor!
-E que tal irmos almoçar algures em Lisboa? Pergunta Alfredo a esta entusiasmada morena.
-humm!…e os nossos objectivos aqui na Torre? Pergunta Susana com um ar de pouca convicção.
-Eles estão de pé, Susana!…mas acho que passar um dia nesta fabulosa cidade na companhia de uma mulher bela como tu não se pode nem deve desprezar.
A resposta veio através de um doce beijo que estes empolgados jovens trocam naquele bar escondido onde entra pouca luz do sol.

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O dia passado a dois pela capital à beira Tejo foi, na sua essência, vivido à beira rio numa bem conhecida e histórica zona denominada de Belém.
Susana foi neste caso a cicerone, levando Alfredo a conhecer os edifícios históricos da zona que incluíram o Mosteiro dos Jerónimos, Padrão das Descobertas e Torre de Belém, uma incontornável prova dos famosos pastéis de nata da centenária casa dos “Pastéis de Belém”, cenários dignos de um belo lote de fotografias captadas por Alfredo, culminando num almoço num dos restaurantes locais.

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A atracção partilhada por estes jovens é por demais evidente. As mãos que se procuram e se encontram apelam aos beijos que já provaram um sentir que vem de dentro. No ar está o fogo de uma paixão que cresce a cada minuto.
Uma tarde a dois passada de forma excepcional indica que está em curso uma espiral de emoções. Uma paixão partilhada e desejada por estes dois jovens na flor da idade.
-Minha querida, hoje é 6ª feira e gostava muito que pudéssemos continuar este nosso encontro de sonho pela noite. O que dizes de ir jantar comigo algures na cidade e assistir a um filme que esteja em exibição? Pergunta Alfredo a esta jovem de quem não afasta o olhar.
Com as emoções à flor da pele e num contacto físico estreito, Susana responde:
-Alfredo, imaginas o quanto quero partilhar tudo contigo. Mas hoje tenho o aniversário do meu pai lá em casa ao qual não posso faltar, como podes entender.
A cara de alguma decepção do nosso antropólogo é confrontada com a continuidade das palavras de Susana que diz:
-Amanhã é sábado e penso que podemos passá-lo juntos. Apanhamos o comboio pela linha do Estoril e vamos até Cascais. Uma vez por lá logo veremos o que fazer. Que me dizes, bonitão?
Pegando Susana pela cintura e com um beijo por demais convincente, Alfredo não deixa lugar a qualquer dúvida.
-Sim, morena linda!…a resposta é Yes!
-Então está combinado!…vamos apanhar o autocarro para casa. Com todo este entusiasmo ainda não me disseste onde moras.
-Estou em casa de uns tios no Areeiro enquanto estiver mais uma semana ou duas em Portugal. E tu moras onde?
-Surpresa, Alfredo!….moro na Avenida de Roma em casa dos meus pais que fica perto do Areeiro.
E assim se concluiu este dia na cidade luz, onde a Torre do Tombo perdeu para o fogo de uma empolgada paixão entre dois jovens universitários.

O sábado deu desde cedo sinais de um dia diferente. O sol brilha num céu azul e liberta-se aquela luz natural que vem despertando tantos cineastas ao longo dos anos na captação da magia desta capital à beira rio.
No espírito de Alfredo que levou algum tempo a adormecer, flutuam pensamentos arrebatados pelo entusiasmado desta nova paixão e é com este fogo interior que encara este novo dia.
Acordou bem desperto, tomou aquele banho reparador, fez meticulosamente a barba e vestiu umas calças cor de marfim, uma camisa verde azeitona, completando com uns sapatos de bom couro adquiridos no Porto e um casaco estilo inglês que trouxera de Cambridge.
Uma fragrância imbatível e um penteado arrancado ao espelho deram-lhe o toque final.
Muito naturalmente o equipamento fotográfico a tiracolo não pode faltar.
O encontro destes dois jovens inspirados deu-se por volta das 10h30 na praça do Areeiro.
À sua frente, surgiu uma jovem mulher com o cabelo moreno apanhado numa bela trança enroscada na cabeça onde um olhar aliciante liberta um sorriso que não passa despercebido a Alfredo. Aqueles olhos são demais!…pensa por momentos.
Susana, muito bem maquilhada, vem vestida de calças jeans e uma blusa em tons turquesa salientando um busto insinuante e com uma écharpe de cetim em tons de azul céu que lhe assentam muito bem. Sem descuidar os pormenores Susana calça umas botas e uma bolsa em couro pirografado. Quanto à fragrância exalada desta bela mulher, basta olhar para o sorriso deliciado de Alfredo. O dia promete.
-Bom dia, Susana!…estás linda de morrer! Diz Alfredo com um ar irresistível beijando ternamente a sua companheira.
Visivelmente tocada pelo lisonjeio, Susana repica.
-Olha para ti, Alfredo!…fizeste algum casting em Hollywood?…estou impressionada! Disse trocando um novo beijo com este seu admirador.
De mãos dadas e sorriso cúmplice, estes dois recém conhecidos sentem que este encontro vai alterar o curso das suas vidas.
O dia passa-se muito bem tirando partido das deliciosas vistas da Costa do Estoril. O almoço junto à Baía de Cascais é um ponto alto desta jornada diferente.

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Mas algo alimenta as emoções destes jovens envolvidos de forma tão peculiar que cruzaram um olhar especial naquele ambiente bibliotecário da Torre do Tombo.
As feromonas estão à solta e ambos sentem que esta espiral os leva a dar um passo mais adiante. O desejo passa para lá da apreciação mútua dos seus olhares e os beijos trocados sabem a pouco. De mãos dadas e embalados em total cumplicidade, estes jovens transportam-se para um outro patamar onde a volúpia ocupa um novo ponto alto deste dia excepcional. Este desejo leva-os a partilhar as emoções mais profundas.

Encontro 1   Encontro 2
É aqui que surge uma primeira abordagem de uma inevitável experiência amorosa.
-Susana!…sentes como eu o que ambos desejamos, certo? Como vês esse cenário a dois?
-Alfredo, meu querido!…esse pensamento anda no nosso espírito desde ontem. Não nos conhecemos, mas sei que partilhamos esse desejo. Eu desde ontem que penso nisto e sinto que esta nossa química é para viver em pleno.
Totalmente feliz com o que acaba de ouvir e abraçando novamente a sua bela companheira, Alfredo responde:
-Sinto como tu que o nosso encontro é algo do destino e que as nossas emoções estão ao rubro. A pergunta que te quero fazer é esta. Estás num período favorável para viver este momento íntimo comigo?
-Sei do que falas, Alfredo!…até aí eu acho que os astros estão a ajudar. Não tomo anticoncepcionais pois não me dou bem com eles, mas tenho um controle de calendário que me permite dizer. Quero muito viver este momento mágico contigo.
Embalados neste fogo e com um jantar à luz da vela num restaurante algo retirado em Cascais com vista para a baía, estes jovens apaixonados decidem passar a noite juntos.
Chegados a um pequeno hotel na encosta do Estoril com vista para o famoso Casino e seus magníficos jardins, estes jovens passam para um novo patamar das suas emoções.
Uma vez cumpridos os habituais procedimentos na recepção, ambos sabem o que tanto desejam.
Uma vez naquele quarto com uma bela vista sobre os jardins que não obtiveram nesta fase a especial atenção que merecem, Alfredo fechou a porta atrás de si e, aproximando-se de Susana, começou a beijá-la com um desejo quase selvagem, não perdendo de vista a delicadeza que esta musa merece.
Susana com um inequívoco olhar de prazer corresponde. Alfredo pega a sua amada pela cintura e, encostando-a à parede, acaricia o seu corpo todo convidando-a de seguida a deitarem-se naquela cama convidativa.
Susana empolgada com as iniciativas de Alfredo e, sem perder um minuto, começa a tirar-lhe a camisa que quase rasga no calor de tanta vontade de sentir na pele este seu novo companheiro.
No fogo deste momento intenso, Alfredo oferece a esta fascinante morena um beijo apaixonado que faz ambos perder o fôlego.

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Susana pensa naquele momento. Há que tempos não recebia um beijo destes.
A espiral de desejo mútuo é galopante e, embalados num rebolar de corpos ávidos em cima daquela cama, Alfredo pede a Susana que tire a blusa. Susana quer ir mais longe e após descalçar as botas, retira integralmente a sua roupa expondo uma lingerie de renda vermelha sobre um corpo escultural que deixam Alfredo fora de órbita.
Com uma voz ardente, Alfredo diz à sua companheira enquanto retira igualmente os sapatos e as calças cor de marfim:
-Susana!…tu és um sonho de mulher. Quero tanto fazer amor contigo.
Ao ouvir estas palavras quentes, Susana sente o corpo ávido queimar por dentro de tanto desejo que sente por aquele corpo masculino. Como uma sensação mágica de pertença.
Os momentos que se seguem traduzem-se em beijos ávidos, tais corpos semi nus que deixam de ser físicos para se entregarem a uma espiral de prazer sem limites.
Louca de desejo, Susana cobre o seu companheiro de beijos em todo o seu corpo desde o pescoço, peito, passando pelo ventre e descendo languidamente até chegar ao jardim das delícias.
Correspondendo a esta investida, Alfredo não aguenta e retira a sua cueca pedindo a Susana que faça o mesmo.
Deliciosamente libertos de vestuário e com os sentidos em total ebulição, a visão dos seus corpos nus abre agora as portas para uma caminhada sem retorno.
A nudez de Susana projecta Alfredo para uma nova órbita. Os seus seios são simplesmente magníficos!…pensa este jovem totalmente excitado.
O mesmo sucede a Susana quando tem à sua frente o corpo atlético e os predicados deste seu jovem amante.
Entre fragâncias, sabores carnais e um desejo sem dimensão, o tempo parou naquele quarto de hotel. De tanto rebolar ora devagar ora mais rápido torna-se mais e mais difícil segurar os ímpetos destes dois fervorosos amantes. Os gemidos de um profundo sentir e uma espiral de prazer sem limites levam-nos ao ponto de gravidade zero onde o universo é infinito e os fluidos bailam livremente entre estes corpos agora invariavelmente suados e viscosos.
No desenrolar desta intensa atmosfera de emoções onde ambos se encontram perdidos num interminável delírio, um relaxamento toma enfim conta destes corpos ardentes. Nos seus espíritos o horizonte é imenso e intemporal.
Saciados com esta passagem transcendente, Alfredo retoma gradualmente os sentidos, dizendo a Susana perto do seu ouvido.
-Foi o amor mais gostoso que fiz na minha vida. És uma diva, Susana. Agradeço ao destino este encontro com uma mulher tão deliciosa como tu.
Deliciada com estas palavras e mantendo o seu corpo nu fundido com o do seu parceiro, Susana cola os seus lábios aos de Alfredo deixando, passado momentos, as emoções emergirem através de algumas palavras.
-Alfredo querido! Tu és o melhor presente que eu poderia esperar de um homem. Não saias de dentro de mim meu querido…chiu!….não digas nada…aperta-me contra ti meu garanhão lindo.
A noite de infinito prazer passada nesta confortável cama “King size” transporta estes jovens apaixonados a uma viagem ao limbo, fundidos nesta descoberta mágica, vivida a dois no calor de uma memorável volúpia.

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O novo dia foi anunciado pelo chilrear dos pardais no telhado ali próximo.
O despertar destes amantes foi, não só o reconhecimento mútuo de um envolvimento emotivo de grande intensidade, mas a certeza de que esta oportunidade pedia mais…muito mais!
E assim foi até próximo da hora de almoço. Uma nova experiência selvagem e emocionante assalta novamente estes jovens. A volúpia e o desejo partilhado ocupavam integralmente o espaço intemporal daquele quarto de hotel.
A esta deliciosa experiência de grande intimidade, segue-se uma deliciosa troca de galanteios.
Esta manhã mágica termina mais tarde, quando ambos compreenderam que deveriam deixar o quarto de hotel.
Com a água deliciosamente tépida a escorrer nos seus corpos suados e sedentos de prazer, é tempo de continuar esta caminhada a dois.
Estes dois seres apaixonados e com um apetite acrescido, perderam a oportunidade de tomar o pequeno almoço oferecido pelo hotel.
Não importa!…ambos pensaram…vivemos algo de transcendente naquele quarto de hotel.
-Vamos almoçar a Cascais? Pergunta Alfredo à sua companheira, sentindo que chegara um outro momento interessante. Repor energias.
-Contigo vou até ao fim do mundo, responde Susana com um olhar radiante.
De mãos dadas e com um sorriso luminoso no rosto, seguiram caminhando pelos vastos e bem cuidados jardins do Casino Estoril em direcção ao estuário do Tejo lá em baixo.
O domingo já vai longo e tem que ser vivido da melhor forma. O universo conspira ligando deliciosamente estes jovens apaixonados.

E a vida continua…

2 comentários

2 thoughts on “Ecos do Tombo

  1. Maria Teresa.Barbosa.

    Que dizer de mais um adorável capítulo onde encontramos as belíssimas descrições das cidades de Porto e Lisboa ,passando por Cascais e não esquecendo a entrada na Torre do Tombo,com o respeitável Sr.Bento de Magalhães ,servindo de anfitrião.Termina este capítulo com a admirável descrição dos dois jovens apaixonados que numa noite escaldante,como diz o nosso amigo ( o universo estava conspirando ligando-os deliciosamente)
    Bem haja meu amigo por mais este êxito literário.Beijinho amigo para o simpático casal.

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  2. Olá Maria Teresa,
    Sempre um prazer ler as suas impressões. A saga continua e ainda vai trazer muita acção, novos horizontes e múltiplas surpresas. Desta vez houve um pouco mais de piri-piri para condimentar a história do nosso antropólogo…bem haja e aquele abraço!

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